É possível me arrepender de algo?
Não creio.
O que é o arrependimento?
É ver que as consequências de nossas decisões não correspondem aos objetivos pretendidos.
A resultante da equação elaborada, gera uma nova perspectiva, que não retrata a nossa ansiedade no momento da ação.
Visto isto, podemos entender que, estando na resultante da direção tomada, nossa perspectiva se altera, e decorrente desta condição, nossa visão também se altera.
Por este parâmetro, podemos entender que, a partir deste ponto, o que ocorre é uma nova decisão, pois temos novos elementos decisórios, que interferem na resultante dessa equação.
Compreendendo esse raciocínio, podemos sustentar que, não há como, haver o arrependimento, o que ocorre de fato, é que o balanço de resultados de nossas decisões gerou um passivo que nos onera perante os fatos.
Este passivo recai diretamente sobre o agente da ação, deste ponto em diante ele, o agente, torna-se responsável pelas consequências e demais variantes decorrentes desta equação.
O que é possível deste ponto em diante, é a tomada de consciência de que há uma responsabilidade sobre os fatos, e que as ações seguintes podem e devem mitigar os danos causados.
Uma vez compreendido isso, o indivíduo liberta-se da condição de culpado, e passa, para a condição de corregedor dos fatos e acontecimentos, cabendo a ele o realinhamento das variantes e a redução dos danos causados por sua ação.
Assim como em um livro diário em que não há como eliminar o que já foi escrito, na vida não há como eliminar as consequências, o que nos restas é apenas reconhecer nossa ação e desprender esforços para que os danos sejam minimizados.
Voltar ao ponto de partida das ações empreendidas, não resulta em novo rumo das consequências, esta condição não se mostra possível, pois, quando da ação inicial, o que se tinha era apenas a mesma perspectiva e os mesmos elementos decisórios, e portanto, a mesma diretriz e a mesma direção a ser tomada. Cairíamos um loop eterno de retorno ao ponto de partida, sem resultante que produzisse um novo horizonte.
Então o arrependimento é apenas estado mental de negação das responsabilidades de nossas ações, um ato de covardia e esquiva de nossas fraquezas.
A condição de falha, do indivíduo humano, é decorrente de sua pequena perspectiva dos fatos e dos acontecimentos, quando o ser se liberta da crença de que ele não pode falhar, sua visão do mundo se amplia e novas facetas se tornam visíveis diante de seus olhos.
O medo da rejeição, e a culpa, pela consequência de seus atos, o mantem prezo ao universo limitado em que ele se enclausura. A tal liberdade desejada, é mais relativa as suas próprias crenças, do que, ao mundo a sua volta.
Carregar sua liberdade, e usufruir desse direito, é para alguns, um fardo muito pesado, sentir-se livre de amarras e limitações é a maior das conquistas de um indivíduo.
Desse ponto em diante cabe a ele zelar pela manutenção dessa condição.
Essa posição uma vez conquistada, deve ser alvo de vigilância e atenção, sendo que a tomada de consciência, de que, ações produzem resultados, e que a responsabilidade recai sobre o agente, uma decisão embasada em premissas incompletas, produzem resultados incompletos, e por consequência geram, o ônus da reparação.
Cabe a cada indivíduo, buscar o maior volume de informações e condições, que embasem uma decisão clara e solida em suas ações.
Mantendo-se assim livre de consequências nefastas, que o levem novamente ao aprisionamento e limitação de sua liberdade.

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