Performance

Sic. Etimologicamente, a palavra performance deriva do francês antigo, parformance, e significa "dar forma", "fazer". Linguagem híbrida: mistura elementos do teatro, artes visuais, instalação, música, entre outros. Tenho me deparado muito com este termo. Depois de “aparência”, performance tem sido a palavra de ordem em todos os lugares. Vimemos um tempo onde tudo deve ser esteticamente perfeito, na arquitetura, na moda, no trabalho, ou na “telinha”. Por onde andamos somos oprimidos por esta nova “estética” do “politicamente correto”. Perdeu-se a naturalidade e a descontração. O império da estimulação e da perfeição no desempenho, tornou-se opressor e ditatorial. Feito fachadas hollywoodianas, seguimos elogiando e estimulando uns aos outros, como tolos robôs vigilantes da autoestima. No meu dia a dia, trabalho com objetos de madeira. Minha experiência com esta matéria prima, me retrata como time frames, a evolução da madeira em bruto, ao objeto final, na condição de um móvel ou outra forma. Esta “lapidação” requer diversas etapas, onde dimensiono a peça, retalho as partes, removo excessos, calibro as medidas, entalho encaixes, ajusto arestas, nivelo superfícies, reduzo asperezas, monto conjuntos, removo imperfeiçoes e por fim, aplico selantes e protetores dando acabamento. Em diversas destas etapas, a “agressão”, as características do material, se faz necessária. Sem a agressividade da serra, a rudeza do desempeno, o impacto do martelar, ou a aspereza da lixa, o resultado final não seria uma peça fina e bem acabada. O gosto das pessoas por objetos rústicos e de aparência simples não é apenas uma “pegada” da moda. Isso mostra um desejo intimo de se reencontrar com este mundo onde a “estética” e a “lisura” não sejam normas inquebrantáveis. Vivemos num mundo, de sufoco e de pessoas cristalizadas. A “fragilidade” contemporânea vai além do recomendável, encontramos pessoas que verdadeiramente, acreditam que vacas são quadradas, que sequer tem noção do que seja tirar um copo de leite do úbere do animal, aliás, se presenciarem esta ação, vomitariam desenfreadamente. Chegamos a este ponto. Onde vivemos uma sociedade superficial e estética. Para entender melhor o que retrato aqui, recomento que busque assistir a um filme dos anos 1990, protagonizado por Sandra Bullock, hilária, Silvestre Stallone, e Wesley Snipes. Poderia ser classificado como um filme B, - O Demolidor - mas a mensagem que ele passa em seu roteiro, deixa bem claro o que defendo aqui. Uma sociedade “afetada” que varre para baixo do tapete, tudo que é “ofensivo” a estética e a performance. Onde dois seres “abomináveis” retornam, para, como elefantes em loja de cristais, por abaixo tudo o que era perfeito. É uma “critica” contundente a tudo que vivemos no momento. Precisamos sim de uma transformação na sociedade, a brutalidade e a ignorância não têm mais espaço em um mundo tecnológico e plural, porém, o excesso de normas e condutas, leva a hipocrisia e a falsidade. Que por sua vez, desanda na deterioração da verdade e da honestidade pessoal, pervertendo o caráter e a índole do indivíduo, transformando-o em um arremedo do que reflete o espelho.

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