Números de minha esperança.

Sempre que me sento diante do teclado, as ideias fogem como crianças assustadas. Estou melancólico. Teimo em acentuar a palavra “ideia”, que a recente reforma modificou. No meu tempo de escola a acentuação era motivo de ponto negativo. Não consigo perder o hábito, fui forjado em tempos de disciplina cobrada. E difícil para alguém assim, viver em tempos de autodisciplina. Compreendi esta verdade, quando me dei conta desta diferença, com um de meus filhos. Ele sempre foi em busca de seus objetivos. Um exemplo para mim de obstinação. Em tempos de birra infantil, era difícil vence-lo, mas, esta característica o fez um profissional de sucesso. Não desiste de um objetivo enquanto não conquistar. Aprendeu inglês por conta própria, hoje este conhecimento é fundamental para o seu trabalho. Tenho outro filho que tem a mesma capacidade de aprendizado autodidata, porém, faz uso diferente desta qualidade. Numa de minhas conversas com o obstinado, lembrei a ele a diferença de nossos mecanismos de absorção do conhecimento. A minha “programação” mental ao longo da vida foi usando o mecanismo de transferência orientada, sempre que iniciávamos um novo aprendizado era por mentoria de alguém mais avançado. Hoje a maioria dos jovens são autodidatas em uma enorme gama de conhecimentos. Este choque de realidade muitas vezes causa frustração. Eu sou uma pessoa que gosta de novos conhecimentos, sempre fui “curioso”, algumas vezes até inconveniente para algumas pessoas. Mas é uma característica inata em mim. Não há como suprimi-la. Parei e reli o texto, o titulo parece não ter conexão com o conteúdo, mas, do que se trata um texto, senão, um amontoado de palavras que somadas formam uma ideia, ou muitas. Voltando ao título, título ainda tem assento! A esperança é algo que tange a incerteza. Ela nos impulsiona para algo incerto. Nos leva a lugares sem mapas ou estradas. E assim que vejo muitas pessoas nos tempos atuais, buscam, desejam, projetam mundos não reais. Quando realizam seus objetivos, nem sequer percebem a realização e o poder de sua “fé”, muito menos o caminho até seu objetivo. Elas seguem realizando sem nem ao menos questionar sua capacidade, concentram-se no obstáculo imediato. O degrau a superar, não a escada a vencer. Assim são os vencedores, ajustam-se as etapas e buscam o resultado final. Abordei esta parte para ilustrar o que me trouxe ao teclado hoje. O esforço que um povo vem realizando desde os anos dois mil e doze/treze. Libertar seu país do julgo da corrupção e do crime. É assim que vejo o que está acontecendo no Brasil. Uma transformação intima de cada indivíduo, no caminho destes dez anos, pude ver muitas pessoas se transformarem. Duas em particular, minha esposa e minha mãe, sessenta e noventa e quatro anos. Elas passaram por uma metamorfose, minha esposa por sua descoberta da política, e minha mãe pela morte de meu pai. Esta capacidade de se reconstruírem a partir de um impacto avassalador, me chamou a atenção. Esta é uma condição que vejo acontecendo em maior ou menor intensidade a minha volta. Vivemos um tempo de despertar, este despertar tem levado as pessoas a persistirem em seus intentos. Encontram forças para se reequilibrarem apesar dos reveses, enfrentam, chuva, sol, fome, dor, desânimo, tristeza, esquecimento, abandono, desrespeito, censura, descrédito, poderia ficar aqui elencando mais pontos, mas não pretendo derrubar seu ânimo. A vida é assim, cheia de obstáculos, como num game, seguimos pulando etapas e vencendo vilões, na esperança de um dia, nos vermos livres de nossas angustias e medos, num mundo de esperança e liberdade. Onde os justos possam caminhar sem temer, a ignominia da traição, daqueles a quem depositaram suas esperanças.

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