O apego a dor.


Pessoas se apegam a dor. Eis um fato, uma verdade. Eu vejo esta realidade por toda a parte. Admito, que pode ser reflexo de meus temores. Não me excluo desta análise. Estamos apegados a estas condições e imposições. Apegar-se a algo que nos fere, é uma comportamentos estranho. Sentimos o desejo de nos libertar desta neurose, porém, quando nos deparamos com a escolha, de abandonar este comportamento ou ficar nesta nuvem de sentimentos, muitas vezes optamos pela inércia. Seguimos lutando esta batalha inglória. Em minhas andanças “virtuais” pelo mundo, vejo que há um desejo latente de mudança e liberdade. Por toda parte há a efervescência de uma energia nesta direção. Hoje me deparei com noticias, de que na China, cidadãos protestam contra o nível de repressão e limitação impostos. Em outros países estas mesmas condições se repetem. O mais estranho, é que grande parte das pessoas continuam presas a regras atuais. Elas acreditam que, o que veio conduzindo-as até aqui, é o mundo real. Os eventos recentes no Brasil, mostram, que havia toda uma estrutura para manter as pessoas “felizes” em seus mundos controlados. Como em uma cena de Matrix, todo o universo palpável, era uma trama montada para que o indivíduo não questionasse o sistema. Os controladores deste “mundo desejado”, não permitem que haja contestação, e a cada dia endurecem as condições com o objetivo de conter o que vem pela frente.
 Sei que muitos já vislumbram novos horizontes, porém, o que me intriga, e o que me trouxe até esta pagina em branco, é o apego, de uma grande parte, em manter as “hierarquias” que dominam a estrutura vigente. Estas pessoas temem o desmonte deste modelo, e lutam ferozmente por sua manutenção, como feras acuadas, em um ataque de monstros imaginários. Este comportamento, a meu ver, é o inimigo a ser combatido nesta “revolução” iminente, a inércia do medo. Por que elas temem a mudança? O que as faz optarem, por ficar em uma casa em demolição? Como compreender este mecanismo mental? Até onde, eu e você estamos comprometidos com este estado de coisas? Somos agentes ou repressores das mudanças? São escolhas internas que vivemos diariamente em nossa vida. Abandonamos trincheiras ocupadas, em busca de novos campos, ou defendemos com unhas e dentes nossas posições? Diria que o tempo de grandes lideres passou, caminhamos para uma sociedade fraternal, de cooperação e avanços conjuntos, sem superiores ou inferiores, apenas indivíduos laterais, com habilidades complementares e fundamentais. Afinal, o médico que receita, necessita da faxina que saneia.  Em uma sociedade assim, temores e receios, serão motivo de discórdia e embates. Numa busca de remoção das arestas, seguimos em nossas contendas internas. O que hoje parece turvo, amanhã se descortina como luz radiante. Liberte-se de suas dores. Elas são suas, eu sei, mas não te levarão a diante na caminhada da vida. Liberdade é leveza d’alma, e pureza de sentimentos. Mágoas e rancores, são como correntes presas em fantasmas eternos. 

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